O Golfe

HISTÓRIA

Textos de Fernando Fragoso, publicados na revista "Inter.Face"

As origens do golfe não são perfeitamente conhecidas. Estas definem-se consoante os historiadores e têm por base similitudes com outros jogos praticados em várias épocas. A mais antiga origem remonta ao Império Romano em que o poeta Marcial falava num jogo denominado "Paganica".

Outros, falam do "Cambuca", jogo praticado em Inglaterra, no século XIV, observando-se imagens deste jogo num dos vitrais da Catedral de Gloucester, onde aparece uma personagem com um taco na mão em atitude de quem vai bater uma bola.

Séculos mais tarde apareceram em França e na Holanda jogos com taco e bola que devem ter feito a ligação entre o "Paganica" e o actual golfe.

Todos estes jogos tinham em comum com o golfe o serem jogados com um pequeno objecto esférico que era batido com um taco, desenhado de forma especial, para o projectar em linha recta e em determinada direcção.

Sobre todas estas conjecturas sobre a origem do golfe prevalece a teoria de que o golfe actual decorre de um processo evolutivo de um jogo praticado no gelo, denominado "Kolven", que os holandeses trouxeram para a Escócia, no tempo do comércio das especiarias, entre os portos holandeses e os da costa leste da Escócia.

O considerar-se o golfe como um jogo escocês, resulta da enorme popularidade que este atingiu entre os habitantes da Escócia. Dois factores contribuíram para o êxito do jogo, o muito tempo livre que as tripulações dos navios dispunham para o praticar - entre os desembarques e embarques das mercadorias - e as condições naturais dos terrenos arenosos do leste da Escócia, os conhecidos links escoceses. Estes terrenos não possuíam aptidões agrícolas e apresentavam vegetação rastejante onde, com facilidade, se faziam covas, e se introduziam as bolas - feitas com penas de ganso e envoltas de couro - batidas com tacos de madeira. O objectivo do jogo era conseguir introduzir a bola, em cada cova, com o menor número de pancadas. Os campos maiores tinham, regra geral, cinco buracos e 500 metros de comprimento.

A Escócia, possui aliás a mais antiga prova escrita da existência do golfe, quando o Rei Jaime II, em 1457, decidiu proibir o jogo por considerar que este prejudicava o treino militar necessário à defesa do reino, contra os ingleses.

A proibição oficial só foi levantada em 1502, quando da assinatura do tratado de Glasgow, por Jaime IV (Jaime I da Inglaterra).

O Rei Carlos I, em Inglaterra e a Rainha Mary, da Escócia, fomentaram muito o jogo. A Rainha, que era francesa, introduziu o jogo em França, quando aí estudava.

O primeiro campo de golfe foi construído em Leith, perto de Glasgow. O Rei Carlos II quando jogava golfe naquele campo quando tomou conhecimento da rebelião na Irlanda em 1641.

O Clube tomou depois o nome de Honorable Company of Edinburg Golfers.

The Gentlemen Golfers of Leith, foi, em 1744 foi o primeiro clube de golfe a ser constituído que então promovia uma competição anual em que era disputada uma Taça em prata.

A primeira referencia que relaciona o golfe com St. Andrews, surge em 1552.

Em 1754 a St. Andrews Society of Golfers é constituída e organiza a sua primeira competição oficial utilizando as regras de Leith.

O jogo veio então a popularizar-se a partir do século XVI embora muito limitado às classes mais ricas.

Em 1880 o golfe atravessou fronteiras, vindo a instalar-se primeiro na Inglaterra, sendo introduzido depois na América e Canadá e mais tarde na Índia podendo dizer-se que, em 1860, era já um jogo conhecido em todo o mundo.

Os campos de golfe, mantiveram a mesma estrutura básica até aos finais do sec. XVIII. A partir desta época surge um novo elemento - o green-keeper - que tem como tarefa fundamental, garantir o bom estado do campo, efectuando, para tanto, a manutenção adequada.

Os campos de golfe, são hoje construídos em locais muito diferentes dos primitivos, em terrenos montanhosos, obrigando a grandes movimentações de terras, exigindo drenagens e sistemas de rega, mais ou menos sofisticados, devido à ausência da humidade mínima exigível pela vegetação, agora semeada.

Construir um campo de golfe de 18 buracos, implica um investimento avultado, que varia com o tipo de terreno, podendo oscilar entre os 650 mil e os dois milhões de contos. A manutenção anual pode custar de 80 a 150 mil contos.

O mais celebre clube de golfe inglês, o Royal and Ancient Golf Club of St. Andrews, e a United States Golf Association (USGA), são hoje as entidades reguladoras do golfe mundial, competindo-lhes a definição das regras do jogo, bem como as especificações técnicas do equipamento a utilizar por todos os jogadores, ao nível mundial.

O golfe foi difundido no continente Europeu, bem como, na América e na Ásia, pelos emigrantes escoceses e ingleses, que ao chegar aos seus destinos, procuravam criar um clube e obter um terreno para construir o seu campo de golfe.

Assim aconteceu em Portugal em fins do Sec. XIX. A colónia inglesa, que vivia no Porto, e se dedicava à produção e comércio do vinho do Porto, introduziu o golfe em Portugal ao criar, em 1890, em Espinho, o Oporto Niblicks Club. Em Lisboa, são os funcionários britânicos das companhias de telefones e dos transportes ferroviários que fundam, em 1922, o Lisbon Sports Club, hoje sediado em Belas.

Os primeiros 60 anos do golfe em Portugal, estão historicamente ligados à vida destes dois clubes e de mais dois outros, fundados em 1934, os golfes de Miramar e Vidago.

Nas Ilhas da Madeira e dos Açores ( Ilha de S. Miguel), surgem mais dois campos, respectivamente, em 1937 e 1939. O Santo da Serra Favellas Golf Club, mandado construir pela colónia britânica do Funchal e o campo de golfe Terra Nostra, cuja existência se deve a Vasco Bensaúde.

Ao nível mundial, embora não se conheça com exactidão, o número de jogadores de golfe, calcula-se que deverá rondar os 52 milhões de praticantes. Destes, 26 milhões encontram-se nos Estados Unidos da América, 14 milhões no Japão e 6 milhões na Europa. Os restantes 6 milhões encontram-se disseminados pelo resto do mundo, com especial significado, no Canadá, 2,6 milhões e quase um milhão na Austrália.

Em termos de crescimento de jogadores, entre 1991 e 1995, os EUA, apresentavam a taxa de15%. No Japão essa taxa, fixava-se em 25%. No entanto, a maior taxa de crescimento de jogadores, no mundo, foi de 45%, verificada na Europa.

No continente Europeu, o ritmo de crescimento de campos, é, em diversos países, de algumas dezenas por ano. Nos EUA o número anual de construção de novos campos é de 200, prevendo-se que venha a atinjir um ritmo de construções de um campo, por dia.

Em fins de 1995 o número de campos conhecidos, ao nível mundial, era de cerca de 25 mil. Os EUA, o Reino Unido, o Canadá, o Japão e a Austrália possuiam, respectivamente, as seguintes quantidades de campos: 14.321; 2.536; 1.950; 1.850; 1.560. Em Espanha e Portugal o número de campos no fim de aquele ano eram de 97 e 41, respectivamente.

 

 

Revised: 08-03-2012 .