
O GOLFE E AS RECEITAS DO TURISMO

Em Portugal não existem dados oficiais sobre a quantidade de
turistas que vieram a Portugal com o objectivo principal de jogar golfe, -
estimando-se, porem, em cerca de 200.000. Não se conhecem também, como é
obvio, as receitas em divisas que estes deixaram no país.
Em 1999, escolheram a Península Ibérica para seu destino de
férias, mais de 600.000 jogadores do norte da Europa. Isto representa um
número de voltas próximo dos 3 milhões.

Em Portugal registaram-se cerca de 1 milhão de voltas, sendo apenas
8% dessas voltas jogadas por residentes.
Considerando que o preço médio por volta é de 8 mil escudos e
somando esta receita à das refeições, das dormidas, e do comercio em
geral, teremos que a contribuição, directa e indirecta, do golfe para as
receitas do turismo nacional terá sido, no mínimo, de cerca de 40
milhões de contos, ou seja, 4% das receitas totais do turismo.
O aumento de praticantes na Europa do Norte foi na última década
de cerca de 47% no Reino Unido, 126% na Alemanha., 153% em França e 157%
na Suécia. Nesses países houve também um substancial aumento do número
de campos, mas devido ao clima e condições naturais é para Espanha,
Portugal e Norte de África que uma parte importante dos turistas de golfe
daqueles países se dirigem todos os ano.
O golfe que começou por ser em Portugal um complemento da
hotelaria, tornou-se na última década um factor importante de atracção
de outras infra-estruturas, como sejam, as do alojamento, da restauração,
e do comercio em geral.

Portugal dispõe, presentemente, de 51 campos de golfe dos quais 22
no Algarve que se encontram com plena ocupação durante, praticamente,
todo o ano, e não apenas, como era tradicional, de Março a Outubro.
O Presidente da AHETA - Associação dos Hotéis e Empreendimentos
Turísticos do Algarve - defendeu recentemente o aumento do número de
campos na região, tendo falado mesmo num crescimento para o dobro do
número de campos, considerando que estes são o melhor produto para
combater a sazonalidade ainda existente no turismo algarvio.
Estimam-se em cerca de 20 os projectos nacionais de construção de
campos de golfe, de 9 e 18 buracos, que visam reforçar a oferta em
diversos destinos regionais de golfe, sabendo-se que cada destino deve
oferecer no mínimo 5 campos num raio de cerca de 50 quilómetros.
Actualmente o Algarve e a Grande Lisboa apresentam-se como os dois grandes
destinos, com cerca de 70% da oferta .
(ver www.portugalgolf.pt/mapapor.htm).
Os turistas que mais procuraram Portugal para jogar golfe em 1999
foram por ordem decrescente de visitas: o Reino Unido (52,3%); a Alemanha
(13,7%); a Irlanda (4,7%); a Escandinávia (12,5%); e, a Holanda (2,7%),
países que representam um mercado potencial de quase 6 milhões de
jogadores.
Dos 5 milhões de contos orçamentados para o turismo, apenas se
destinam à promoção do golfe no estrangeiro 180 mil contos, verba que é
manifestamente insuficiente, sobretudo, se quisermos atrair, uma pequena
fatia do mercado americano que integra 25 milhões de praticantes de golfe.

A Irlanda graças a uma política muito agressiva, - com um clima
agreste onde apenas é possivel praticar o golfe durante 4 meses por ano -
já consegue captar, por ano, cerca de 400 mil americanos, que visitam o
país com objectivo de jogar golfe, em alguns dos 250 campos de 18 buracos
ou dos 113 de 9 buracos, que este país de 3,5 milhões de habitantes,
oferece aos seus cerca de 200 mil praticantes amantes deste desporto.
Em Portugal, o número de praticantes de golfe estima-se em cerca de
10.000, número ainda muito insuficiente, cuja dimensão se deve ao
arranque tardio e lento desta actividade e á fraca divulgação desta tão
salutar modalidade desportiva.
A maioria dos campos já construídos e os novos projectados têm,
presentemente, como base de sustentação da sua actividade o mercado
externo, sendo por isso muito permeáveis às oscilações deste mesmo
mercado, estando sujeitas, em especial, à concorrência de Espanha onde
há cerca de 130 campos de dezoito buracos, e 60 de nove, com mais de 50 na
Andaluzia..
É pois fundamental combater esta dependência excessiva do
exterior, tornando o golfe mais acessível aos portugueses de modo que num
breve espaço de tempo se disponha de 30 a 40 mil jogadores a utilizar os
campos que em cada região do país vão sendo disponibilizados.
O crescimento do golfe em Portugal é imperioso a todos os títulos
e muito em especial, para beneficio da economia nacional pelo volume de
divisas que pode canalizar para o país, que tanto delas carece e cuja
necessidade se irá acentuar em anos vindouros.
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