Revista de Imprensa

O "Masters"

Por, António Carmona Santos

 

O «Masters» é o primeiro torneio do ano que, tradicionalmente, faz parte do famoso «Grand Slam» moderno. Como é que isto tudo acontece? Quem o decide? Porque é que alguns torneios (precisamente quatro) são considerados «majors»? Há muitas respostas, mas nenhuma concreta. As razões são de ordem consensual. Estes torneios são feitos de respeito pelo jogo de rigor de critérios e tradição.

Se analisarmos os quatro «majors» verificaremos que, embora diferentes uns dos outros, todos têm aqueles pontos em comum.

Enquanto que, por exemplo, o «British Open» é uma prova aberta a todos, tanto público como competidores, em que os primeiros adquirem livremente os seus bilhetes e os segundos se classificam através de critérios conhecidos, o «Masters» é todo baseado no convite, na escolha feita pelos organizadores. Até mesmo os bilhetes pagos têm uma ordem de preferência pela antiguidade. Assim, se se utilizasse uma nomenclatura de política contemporânea, poderia dizer-se que o «Open» seria um torneio de esquerda e o «Masters» um torneio de direita. Um, privilegia a popularidade, o outro a elite. Mas não se trata de política, mas simplesmente de golfe. O jogo é suficientemente adulto e respeitável para se adaptar a essas situações extremas, desde que os aspectos fundamentais sejam respeitados sem qualquer condescendência.

A história do «Masters» assenta na extraordinária figura de Bobby Jones, a maior vedeta dos anos 20 um homem que ganhou no mesmo ano, como amador que sempre foi, o «U. S. Amateur», o «U. S. Open», o «British Amateur» e o «British Open» (ao tempo, este era o «Grand Slam»). Depois de realizar essa façanha, abandonou (aos 30 anos), no auge da glória, o golfe de competição.

Devido ao seu prestígio, atirou-se, então, a um grande projecto: encontrou financiadores e, apoiado num dos melhores arquitectos de golfe de todos os tempos - Alistair Mckenzie - criou um dos mais famosos campos do mundo, o Augusta National Golf Club. Os sócios do Clube decidiram convidar, anualmente, os melhores jogadores mundiais para disputarem um torneio a que chamaram «Masters», cuja primeira edição se realizou em 1934 e se tem disputado todos os anos, sem interrupção.

Os louvores da imprensa, do público, do mundo do golfe, a forma rigorosa como tudo foi sempre organizado, a perfeição do percurso, com uma manutenção inexcedível e, sobretudo, a maneira como, através dos anos, se têm sempre batido para conseguirem o título, fazem deste torneio um dos maiores acontecimentos mundiais de golfe.

O vencedor, para além de receber um chorudo prémio monetário, de lhe ser entregue uma réplica em prata do «Clubhouse» e de passar a ser sócio honorário do Clube, é-lhe oferecido um «blazer» verde como insígnia dessa qualidade. É como se fosse armado cavaleiro... do golfe.,

Quem assiste ao «Masters» e se interessa pelo golfe, não pode deixar de admirar como tudo é feito. Pode até não se concordar com tanta «segregação», mas o facto é que ela é aceite e respeitada por todos.

Toda a filosofia de vida americana se baseia na igualdade de oportunidades e na conquista de uma vida melhor, através da competição e do desejado sucesso. Isto faz com que os bem sucedidos, ao contrário do que acontece de uma maneira geral, na Europa, sejam exemplos a seguir e não homens a abater.

O rigor, a dedicação e a competência têm muita força e é aí que os sócios de Augusta vão encontrar a legitimidade para que o «Masters» seja o que é.

Há anos, um dos maiores comentadores desportivos dos E. U. A., referiu-se ao público, nos seus comentários pela rádio, como sendo uma horda de entusiastas...

Foi chamado ao gabinete do presidente que lhe disse: «Em Augusta, não temos cá hordas!» Seguidamente, foi-lhe solicitado que se retirasse do torneio. Só muitos anos depois pôde voltar.

Durante o «Masters», ao longo do percurso ou na zona do «Clubhouse», não se vê qualquer faixa ou cartaz publicitário. Tudo está pintado de verde para não destoar do ambiente. As flores e arranjos fazem inveja a muitos jardins botânicos. No chão, não se vê um papel ou garrafa vazia. Tudo é simples e imponente.

Mesmo assim, o público (que se estima entre 20.000 a 25.000 pessoas por dia) vibra com a maior intensidade até ao último momento. Até se conhecer o novo vencedor. A competição parece e é, em tudo, uma Taça do Clube, um convívio entre amigos, gente que se conhece e se aprecia.


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Revised: 09-11-2000.